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Operação Fronteira

Operação Fronteira

Mar. 06, 2019USA126 Min.R
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Sinopse

Operação Fronteira

A lealdade entre eles é colocada à prova quando cinco ex-militares se reúnem para roubar a fortuna de um chefão das drogas com consequências totalmente inesperadas.

Crítica

Um jogo de futebol é perturbado pela chegada de um helicóptero preto, uma aeronave ameaçadora que interrompe o cotidiano de uma periferia sul-americana. Policiais ocupam vielas e ruas conforme a rotina é esvaziada e a população esconde-se em suas casas, observando a incursão da tropa comandada por Santiago “Pope” García (Oscar Isaac), silencioso agente cuja trilha sonora mental é uma eterna playlist composta pelo heavy/thrash metal de bandas como o Metallica e o Megadeth. Mas logo a clássica canção headbanger “For Whom The Bell Tolls” e a voz grave do cantor James Hetfield são substituídas pelo suinge de um reggaeton, e pela entonação sensual de uma estrela pop local. E, então, um míssil, um pesado tiroteio, uma explosão, o sangue e a violência, que confundem e ocupam o silêncio da vida comum.

A guerra deixa marcas na biologia e na fisiologia do ser humano, sentença esta proferida pelo veterano William “Ironhead” Miller (Charlie Hunnam) que muito bem poderia ser o lema oficial de Operação Fronteira, este drama de guerra e ação do diretor e roteirista J.C. Chandor que expande as temáticas investigadas pelo cineasta no decorrer de sua carreira, agora por um viés um tanto quanto megalomaníaco. No entanto, por maior que seja o escopo deste longa, patrocinado por um mais do que respeitável orçamento da Netflix, a obra — assim como Margin Call – O Dia Antes do FimAté o Fim e O Ano Mais Violento — é uma tragédia contemporânea, na qual seus protagonistas não podem escapar de seus destinos e da espiral de desventuras que toma conta de suas vidas, por mais que lutem pelo contrário.

Lutar, aliás, é a palavra de ordem de Operação Fronteira: seja no pós-serviço militar, seja na missão clandestina no centro deste projeto — que, a propósito, está em produção há anos, tendo sido tocado, a certa altura, pela dupla de Guerra ao TerrorKathryn Bigelow e Mark Boal —, os cinco protagonistas batalham por suas sobrevivências. Aqui há, portanto, um paralelo entre a existência civil e a trajetória paramilitar iniciada por muitos soldados após quitarem suas dívidas, empregatícias e de honra, com seus exércitos: de um modo ou de outro, muitos veteranos são esquecidos por seus Estados — depois de terem defendido suas pátrias, retornado ao lar como “heróis”, experimentado as atrocidades da guerra e desenvolvido transtornos pós-traumáticos —, e precisam sustentar suas famílias e a si mesmos.

É neste contexto de abandono que o plano, consequentemente, é esquematizado: operando nos limites da lei, Pepe agrupa seus antigos irmãos de armas para derrubar um poderoso narcotraficante da Tríplice Fronteira que une Brasil, Colômbia e Peru e, de quebra, surrupiar o dinheiro do criminoso, solucionando os imbróglios financeiros de Miller, Tom Davis (Ben Affleck), Francisco Morales (Pedro Pascal) e Ben Miller (Garrett Hedlund). Se a orquestra executar a música planejada à perfeição, no entanto, os cinco cometerão pelo menos “um assassinato e um roubo a mão armada”, como anuncia o personagem de Affleck, frase esta que, por sua vez, simboliza e faz convergir os vencedores elementos de Operação Fronteira — cujo tratamento final assinado por Chandor toma como base um roteiro prévio de Boal.

Por mais que glorifique paradoxalmente a guerra em seus desgínios para examinar as consequências nefastas da mesma — como fazem, via de regra, os longas anti-guerra —, Chandor estrutura consequências reais e dramáticas para os atos de seus protagonistas enquanto constrói, pacientemente, sua análise filosófica sobre a zona cinzenta da moral, legislação e ética — a diferença, desta vez, é que o realizador faz isso com o apoio de sequências de combate perfeitamente concretizadas, cortesia da competente fotografia naturalista de Roman Vasyanov (Marcados para Morrer) e da precisa e objetiva montagem de Ron Patane (O Lugar Onde Tudo Termina). Desse modo, por mais que o roteiro em si siga as convenções narrativas mais básicas, o diretor sentencia: não há descanso para os criminosos.

Contudo, destrinchar resultados não é o único mérito conceitual de Chandor, que também desfia pontuações marcantes no que se refere à importância da comunidade: em tempos cada vez mais individualistas como estes nos quais vivemos, Operação Fronteira capitaliza sobre o bom e velho clichê da irmandade militar, e é só através da união, a despeito de seus desejos particulares e de suas ganâncias individuais, que os cinco soldados deste drama conseguirão sair da perigosa sinuca-de-bico na qual se meteram. E há ainda, evidentemente, uma crítica nada sutil às invasões perpetradas pelos Estados Unidos no território de países menos poderosos, atos que ferem a soberania de nações alheias com o antigo e nocivo pretexto de “levar a democracia” — a História prova as contradições desta política externa.

Operação Fronteira

Por outro lado, os méritos de Operação Fronteira também apontam para sua falha crítica: apesar de ser focado na humanidade de seus personagens, o drama não os desenvolve o bastante. Em Margin Call – O Dia Antes do Fim, por exemplo, Chandor fazia com que suas criações servissem ao contexto da crise econômica de 2008, mas já em Até o Fim e em O Ano Mais Violento, o cineasta mudou de rumo e inverteu a equação: o contexto, a trama em si, tornou-se uma ferramenta para estudar os seus personagens. Em Operação Fronteira, o realizador anuncia a mesma abordagem de seus últimos filmes, mas não a leva a cabo: para um longa de conjunto, “coral”, as dimensões internas e espirituais dos protagonistas não recebem a devida atenção, e se perdem em meio às sequências de ação.

Talvez fosse uma questão de, por exemplo, diminuir o número de personagens principais — suas tramas pessoais poderiam, inclusive, ser matéria de uma minissérie —, ou até mesmo de retomar a estrutura de sua obra de estreia; de qualquer forma, Chandor acaba trabalhando aqui mais com estereótipos do que com personagens tridimensionais, a despeito dos largos minutos iniciais gastos para estabelecer o background de cada um deles. Como são relativamente rasos, os soldados não oferecem muita substância para Isaac, Affleck, Hunnam, Pascal e Hedlund, cujas performances são apenas suficientes para impulsionar a narrativa. Isso faz, em suma, com que algumas das potencialidades dramáticas de Operação Fronteira sejam esgarçadas a ponto do entretenimento puro suplantar em demasia a reflexão.

O que, por si só, não é um problema, é claro: somente faz com que o drama não atinja o patamar que, a julgar pela carreira de Chandor, poderia alcançar — afinal de contas, a dimensão política da questão do narcotráfico, e até mesmo das problemáticas internas dos países sul-americanos, servem como mero pano de fundo à execução em primeiro plano do realizador. Entretanto, no fim do dia, considerando o complicado histórico de produção de Triple Frontier (título original), anunciado originalmente nos idos de 2010, o resultado final é mais do que saudável. Por mais que seja o filme menos bem-sucedido de seu realizador, Operação Fronteira é, ainda assim, um drama de guerra sólido e muito bem produzido, que traz de volta um diretor e roteirista que já estava há muito tempo — cinco anos, precisamente — afastado das telonas.

Operação Fronteira
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Operação Fronteira
Operação Fronteira
Operação Fronteira
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Operação Fronteira
Operação Fronteira
Operação Fronteira
Título original Triple Frontier
IMDb Rating 6.4 110,173 votes
TMDb Rating 6.2 1,744 votes

Director

J.C. Chandor
Director

Elenco

Ben Affleck isTom 'Redfly' Davis
Tom 'Redfly' Davis
Oscar Isaac isSantiago 'Pope' Garcia
Santiago 'Pope' Garcia
Charlie Hunnam isWilliam 'Ironhead' Miller
William 'Ironhead' Miller
Garrett Hedlund isBen Miller
Ben Miller
Pedro Pascal isFrancisco 'Catfish' Morales
Francisco 'Catfish' Morales
Reynaldo Gallegos isGabriel Martín Lorea
Gabriel Martín Lorea
Maddy Wary isTess Davis
Tess Davis
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