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O Farol

O Farol

Há um encanto na luz.Oct. 18, 2019Canada110 Min.R
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Sinopse

O Farol

Início do século XX. Thomas Wake (Willem Dafoe), responsável pelo farol de uma ilha isolada, contrata o jovem Ephraim Winslow (Robert Pattinson) para substituir o ajudante anterior e colaborar nas tarefas diárias. No entanto, o acesso ao farol é mantido fechado ao novato, que se torna cada vez mais curioso com este espaço privado. Enquanto os dois homens se conhecem e se provocam, Ephraim fica obcecado em descobrir o que acontece naquele espaço fechado, ao mesmo tempo em que fenômenos estranhos começam a acontecer ao seu redor.

Crítica

Uma tela quadrada (ou próxima disso, em formato 1.19:1). Uma fotografia em preto e branco, extremamente contrastada, com textura antiga, suja. Personagens que caminham em silêncio e, em determinado momento, param e encaram diretamente para o espectador. O início de The Lighthouse evoca o cinema soviético do início dos anos XX e os recursos de linguagem do cinema mudo. O diretor Robert Eggers continua buscando nos símbolos do passado o material para ilustrar os medos contemporâneos. Após A Bruxa, constrói uma fábula sobre isolamento e loucura, sobre a monstruosidade real ou imaginária – sua versão pessoal de “A Volta do Parafuso”.

 

Logo, os dois homens falam, até demais. Thomas Wake (Willem Dafoe) corresponde ao imaginário do capitão bêbado e agressivo, exceto pelo fato de que se tranca dentro do farol, à noite, completamente nu, e emite alguns gemidos de prazer. Ephraim Winslow (Robert Pattinson) é anunciado como o típico novato explorado pelo chefe, ainda que esconda alguns segredos no passado e ostente um comportamento, digamos, instável. A narrativa está repleta de sugestões de violência e erotismo – nunca sabemos ao certo se os dois homens vão se matar ou fazer sexo um com o outro. Tudo passa pelo corpo, como atesta a quantidade impressionante de brigas, bebedeiras, trabalhos forçados, urina, fezes, sangue, vômito, esperma e flatulência.

 

A decisão de confinar a trama a dois únicos personagens poderia resultar num produto teatral e excessivamente dependente dos diálogos para se desenvolver. Felizmente, a armadilha é evitada por dois recursos: a potência estética e a subversão do realismo do texto. Eggers se mostra mais uma vez um exímio construtor de imagens, atribuindo uma função narrativa importante à natureza, que poderia ser considerada uma terceira personagem. As ondas do mar, a chuva, o vento e mesmo as gaivotas se convertem em elementos assustadores, de grande impacto visual e sonoro. Mesmo sem saber ao certo o que está acontecendo aos personagens – estariam enlouquecendo? -, compreendemos o clima de perigo iminente naquela ilha deserta. Quanto aos diálogos, cada ator recebe monólogos tão deliciosos quanto perigosos, marcados por oscilações de tom e vocabulário antiquado, condensados em tiradas longuíssimas que exigem o máximo talento de Dafoe e Pattinson.

O Farol

The Lighthouse se converte no huis clos a céu aberto, ou seja, um filme de clausura sobre dois homens oprimidos, impossibilitados de pegar um barco e partir da ilha. A convivência forçada entre os amigos/inimigos atinge índices cada vez maiores de intensidade, felizmente contrabalanceada por uma generosa dose de humor. O cineasta percebe que a comicidade é um elemento necessário permitir algum tipo de vazão à angústia crescente. Eggers prefere, portanto, assumir o absurdo da trama, brincando muitíssimo bem entre o que deve ser mostrado e o que pode ser sugerido ao espectador. O filme constitui um exemplo notável de manipulação consciente e dosada de luz, som, efeitos visuais e psicologia de personagens.

 

O resultado não se contenta com a beleza estonteante das imagens nem com o refinamento da produção. Quando chega a hora de partir para o terror, Eggers oferece cenas chocantes, de uma brutalidade explícita e banalizada – mais uma vez, os animais desempenham um papel importante, como em A Bruxa. O diretor aproxima-se de Lars von Trier na estética da violência, apostando na possibilidade de ao ser mesmo tempo mais gore e mais refinado. Uma sequência de sexualidade envolvendo a figura de uma sereia revela-se particularmente perturbadora, assim como o desfecho, de uma plasticidade magistral.

 

Enquanto no projeto anterior Eggers testava os limites da sugestão, aqui ele se diverte tanto com o imaginário sugerido quanto com a passagem ao ato. O efeito pode ser considerado pretensioso por sua grandiloquência imagética e existencialista, no entanto o filme sempre sabe quando dosar a intensidade das cenas, interrompendo uma fala complexa para incluir uma piada física. Pela presença de Robert Pattinson e Willem Dafoe, The Lighthouse deve chegar a um circuito de cinemas ainda mais amplo. Será delicioso descobrir, então, a surpresa do público médio diante de uma obra tão visceral.

O Farol
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Título original The Lighthouse
IMDb Rating 7.5 150,873 votes
TMDb Rating 7.7 1,125 votes

Director

Elenco

Robert Pattinson isThomas Howard
Thomas Howard
Willem Dafoe isThomas Wake
Thomas Wake
Logan Hawkes isEphraim Winslow
Ephraim Winslow
Kyla Nicolle isWoman on the Rocks
Woman on the Rocks
Shaun Clarke isDeparting Wickie
Departing Wickie
Pierre Richard isDeparting Assistant Wickie
Departing Assistant Wickie
Preston Hudson isTender Mate
Tender Mate
Jeff Cruts isTender Mate
Tender Mate
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