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Miss Bala

Miss Bala

No que você se transformaria para salvar a sua família?Feb. 01, 2019Mexico104 Min.PG-13
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Sinopse

Miss Bala

Após sua amiga Suzu ter desaparecido em Tijuana, Gloria Meyer (Gina Rodriguez) se torna o peão em um perigoso jogo entre a CIA, a DEA e um carismático chefe do crime.

Crítica

Quando a pac√≠fica maquiadora Gloria (Gina Rodriguez) √© sequestrada por g√Ęngsteres mexicanos, a vida dela se torna um calv√°rio sem fim: nas m√£os dos criminosos, √© obrigada a praticar assaltos e entregar armas; nas m√£os dos policiais, descobre homens igualmente corruptos e perversos; nas m√£os de poderosos empres√°rios, enfrenta o abuso sexual. Nenhum amigo ou familiar procura por ela. Nenhum policial honesto efetua investiga√ß√Ķes. Caso ela consiga sair da emboscada viva, ser√° atrav√©s de esfor√ßos pr√≥prios. Nesta fronteira entre M√©xico e Estados Unidos idealizada pela diretora¬†Catherine Hardwicke¬†‚Äď e pelo¬†roteiro original, de 2011¬†‚Äď todos os homens s√£o predadores asquerosos, e todas as mulheres s√£o v√≠timas sensuais.

 

O filme trata de coincidir mil√≠cia e sexo: o fato de deter o poder sobre o dinheiro e as drogas, neste caso, equivale a deter o poder sobre as mulheres, transformadas em mercadorias equivalentes. √Č curioso que a cineasta n√£o retrate esse funcionamento de forma cr√≠tica, muito pelo contr√°rio: os ladr√Ķes s√£o apresentados de maneira sedutora, com a c√Ęmera deslizando lentamente por seus corpos musculosos enquanto os atores proferem os di√°logos em tom sussurrante. O roteiro frequentemente nos lembra de que os chefes do tr√°fico, apesar de violentos, podem ser bons protetores √†s suas companheiras. Enquanto isso, as mulheres come√ßam e terminam a hist√≥ria em vestidos curtos, dentro de festas, onde tanto Gloria quanto a melhor amiga se oferecem a homens poderosos em busca de prote√ß√£o e/ou vantagens financeiras.

√Č evidente que¬†Miss Bala¬†pretende se passar por uma trajet√≥ria de empoderamento feminino. Depois de sofrer nas m√£os de todos os homens da hist√≥ria, Gloria terminar√° sua aventura, como sugere o cartaz, com uma arma na m√£o. ‚ÄúI call the shots now‚ÄĚ, canta uma m√ļsica pop, ou seja, ‚ÄúSou eu quem d√° as cartas agora‚ÄĚ. A afirma√ß√£o soa generosa, afinal, Gloria apenas se emancipa quando os homens, de uma forma ou outra, permitem que ela o fa√ßa. A vida da maquiadora √© condicionada √† presen√ßa, ou aus√™ncia, dos homens, pois ela n√£o se mostra capaz de assumir a lideran√ßa dentro da sociedade em que os personagens masculinos existam. Apenas quando os advers√°rios saem do caminho, Gloria se torna uma figura supostamente poderosa. Deste modo, a sugest√£o de empoderamento se enfraquece.

 

Os conflitos sobre a representa√ß√£o de g√™neros s√£o acentuados pelas escolhas de dire√ß√£o. Hardwicke aposta em recursos televisivos um tanto banais: cada transi√ß√£o de cena √© marcada por um plano a√©reo impessoal e acelerado (em estilo¬†C.S.I.), os tiros atingem corpos em c√Ęmera lenta, a c√Ęmera surpreendentemente adota o ponto de vista da bala durante um disparo. A cineasta usa e abusa das c√Ęmeras tremidas na m√£o, mesmo quando a personagem est√° calmamente sentada numa lanchonete ‚Äď o que extrapola o t√≠pico uso deste recurso para imprimir ritmo e urg√™ncia. Hardwicke, conhecida pelas produ√ß√Ķes cruas e urbanas (Os Reis de Dogtown,¬†Aos Treze), n√£o resiste √† tenta√ß√£o de transformar sua narrativa num ve√≠culo para os clich√™s do¬†latin lover, da ‚Äúmulher de malandro‚ÄĚ, do mundo em que todos s√£o igualmente corruptos e n√£o h√° qualquer sa√≠da. Por tr√°s da apar√™ncia de suspense policial, se esconde o conformismo da trag√©dia: a √ļnica maneira para Gloria sobreviver nesta terra de ningu√©m √© matar todos ao seu redor.

Miss Bala

Como os gestos e imagens s√£o ajustados ao imagin√°rio popular do banditismo, os atores ganham pouca oportunidade de expressar nuances. Gina Rodriguez transmite varia√ß√£o emocional limitada ao longo da trama,¬†Ismael Cruz C√≥rdova¬†aposta na performance √† la clipe de¬†hip hop, e¬†Matt Lauria¬†reproduz a figura do cafajeste sedutor. Este mundo fabular √© povoado pelas figuras manique√≠stas e antag√īnicas de agressores e v√≠timas, abusadores e abusados. A √ļnica rea√ß√£o poss√≠vel consiste em reproduzir o comportamento agressivo: Gloria aprende a atirar, algo que ser√° √ļtil mais tarde na trama, quando se v√™ com uma metralhadora nas m√£os. Por tr√°s de seu final feliz, a produ√ß√£o ostenta o gosto amargo de n√£o enxergar qualquer sa√≠da para a gest√£o do caos a n√£o ser participar dele, e qualquer alternativa √† batalha dos sexos para al√©m da elimina√ß√£o de um dos lados da partida.

Miss Bala
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Miss Bala
Título original Miss Bala
IMDb Rating 5.8 9,138 votes
TMDb Rating 6.2 177 votes
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