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Feito na América

Feito na América

Baseado em uma verdadeira mentira.Aug. 08, 2017USA115 Min.R
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Sinopse

Feito na América

Durante a década de 1980, Barry Seal (Tom Cruise), um piloto oportunista da Trans World Airlines, é inesperadamente recrutado pela CIA para realizar uma das maiores operações secretas da história dos Estados Unidos.

Crítica

A sequência que mais chama a atenção no trailer de Feito na América é Tom Cruise fugindo coberto de cocaína da cabeça aos pés. É completamente inesperado e bastante curioso ver o astro acostumado a personagens heroicos e insubordinados repletos de razão se colocar em tal posição aos 55 anos, mais de 35 de carreira. Cômico até. E infelizmente é exclusivamente com a finalidade de fazer rir que a cena está no filme. Barry Seal, figura real interpretada por Cruise neste longa de Doug Liman, transporta quilos e mais quilos de cocaína entre a Colômbia e os Estados Unidos, vive uma mentira sob intensa pressão, compra bicicletas de crianças cheio de pó na cara, mas não cheira. Entrega armas, mas não atira. É ameaçado diretamente de morte, mas não mata. Infringe inúmeras leis, mas na verdade é a vítima. Seus grandes pecados são enganar, ser ambicioso e confiar num agente da CIA. Seu maior problema se torna ter dinheiro demais. Pois bem, no fim das contas não vemos um Tom Cruise tão transgressor assim. É inegável, no entanto, o caráter arrojado do novo fruto da parceria Cruise/Liman, iniciada no também levemente ousado No Limite do Amanhã.

 

No fim dos anos 1970, Barry é um piloto de avião que contrabandeia charutos para aumentar os rendimentos da família, trabalha tão entediado que se diverte sacudindo a aeronave para acordar os passageiros e deseja tanto novos desafios que acredita prontamente num estranho (Domhnall Gleeson, cheio de energia) que o aborda dizendo ser da CIA e querendo contar com suas habilidades acima da média em uma missão internacional confidencial. “Agir sem pensar” é uma de suas falhas, ele admite no vídeo caseiro posterior aos eventos que pontualmente surge como boa narração comentada. O reforço por meio de palavras é fundamental para que o público acredite nas loucuras que os olhos veem e o discurso engraçadinho do aeronauta refina o tom sarcástico da trama (por outro lado o vitimismo também ganha com a voz mais força). Feito na América tem como principal destaque a zombaria para cima do presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan; de instituições clássicas como a CIA, o FBI, a DEA e a Casa Branca; e de estadunidenses em geral, sem poupar nem mesmo o protagonista.

 

Os norte-americanos são ruins de geografia e obcecados pela glória, homens que se dão bem mais pelos infindáveis recursos e senso de oportunidade (ou timing) do que pela inteligência. Barry se vê no meio de uma gigante e embolada rede apenas por ter aceitado trabalhos e são os empreendedores colombianos os verdadeiros estrategistas, mas no fim das contas nada disso importa, pois quem dita as regras é invariavelmente o mais poderoso dos caciques. Foi usada a palavra homens porque às mulheres da trama nada resta além de observar. Judy (Lola Kirke) aparece em só uma cena, alertando em vão o marido xerife (Jesse Plemons, outro desperdiçado) a respeito dos investimentos de Barry; Dana (Jayma Mays) é uma juíza de mãos atadas; e Lucy (Sarah Wright), a companheira do personagem principal, está sempre em casa para cuidar dos filhos, esconder cada vez mais dinheiro e transar nos raros momentos em que ele não está viajando. Inacreditavelmente não há conflito doméstico pela ocupação incomum do piloto e sequer a entrada em cena de um membro familiar é capaz de aumentar a relevância da lady Seal. Barry não a trata como esposa troféu, mas é assim que ela é retratada.

Feito na América

A insanidade dos anos 70 e 80 – e da trajetória de Barry em si – é transposta do roteiro de Gary Spinelli para imagens com muita câmera instável, zoom in prescindível, enquadramentos “tortos” (como os enquadrados) e planos de curtíssima duração, seguindo o ritmo pra frente do protagonista e a escalada acelerada dos acontecimentos. A velocidade é valiosa para a comédia, gênero que deixa a ação em segundo plano no longa, mas não chega ao ponto de provocar gargalhadas – a não ser que você se divirta muito com policiais se ferrando. A tensão é restrita às dificuldades dos voos de volta aos Estados Unidos e um ou outro contato mais “pisando em ovos” com os traficantes. O que motiva o público é unicamente ver até onde vai o nó engendrado por Seal, vivido com bastante carisma por Cruise. O american way of life tem seu preço mesmo na chamada Terra das Oportunidades e o filme de Liman é contundente como raras superproduções em seu ataque ao cartel institucional do Tio Sam.


A “incrível” história real acaba sendo realmente incrível pelo excesso de inocência do protagonista, porém o absurdo todo revela-se bastante espirituoso e muito bem dirigido. Em tempos de Donald Trump, o amargo e irônico “Que nação maravilhosa é a América!” repetido pelo aviador não poderia soar mais atual.

 
Feito na América
Feito na América
Feito na América
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Feito na América
Feito na América
Feito na América
Feito na América
Feito na América
Feito na América
Título original American Made
IMDb Rating 7.2 160,485 votes
TMDb Rating 6.8 2,756 votes

Director

Doug Liman
Director

Elenco

Tom Cruise isBarry Seal
Barry Seal
Sarah Wright isLucy Seal
Lucy Seal
Domhnall Gleeson isMonty Schafer
Monty Schafer
Alejandro Edda isJorge Ochoa
Jorge Ochoa
Mauricio Mejía isPablo Escobar
Pablo Escobar
Jayma Mays isDana Sibota
Dana Sibota
Jesse Plemons isSheriff Downing
Sheriff Downing
Lola Kirke isJudy Downing
Judy Downing
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