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Era Uma Vez em Hollywood

Era Uma Vez em Hollywood

Nesta cidade, tudo pode mudar... assim.Jul. 25, 2019USA162 Min.R
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Sinopse

Era Uma Vez em Hollywood

Los Angeles, 1969. Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) √© um ator de TV que, juntamente com seu dubl√™, est√° decidido a fazer o nome em Hollywood. Para tanto, ele conhece muitas pessoas influentes na ind√ļstria cinematogr√°fica, o que os acaba levando aos assassinatos realizados por Charles Manson na √©poca, entre eles o da atriz Sharon Tate (Margot Robbie), que na √©poca estava gr√°vida do diretor Roman Polanski (Rafal Zawierucha).

Crítica

Depois de oito longas-metragens,¬†Quentin Tarantino¬†possui plena consci√™ncia da fama que construiu para si, e sabe exatamente o que os f√£s esperam dele. O diretor tem contribu√≠do a alimentar a imagem de √≠cone do cinema B, grande conhecedor de terror, a√ß√£o, policial e¬†exploitation, ex√≠mio coordenador de cenas de a√ß√£o, com um humor autopar√≥dico e desmesurado. Espera-se de Tarantino que carregue as tintas nos tiros e explos√Ķes, nas refer√™ncias √† cultura pop, na condu√ß√£o voluntariamente gratuita da viol√™ncia. No entanto, em seus √ļltimos filmes, o cineasta tem privilegiado a vertente de ‚Äúgrande autor‚ÄĚ, substituindo aos poucos o prazer do sangue pela maestria dos di√°logos e da¬†mise en sc√®ne.

Os Oito Odiados¬†trabalhava, durante aproximadamente uma hora de filme, a apresenta√ß√£o dos personagens, sua origem e suas motiva√ß√Ķes, √† medida que se deslocavam pela neve. Esta apresenta√ß√£o, esp√©cie de antessala ao conflito que desencadearia a a√ß√£o principal, tem ocupado um espa√ßo cada vez maior na filmografia do diretor. Ele prefere deixar em segundo plano as reviravoltas espetaculares para privilegiar a cria√ß√£o de personagens, brincando com estas figuras como quem brinca de bonecos dispostos em situa√ß√Ķes desconexas, pelo simples prazer do jogo. A abordagem l√ļdica resulta na estrutura surpreendente de¬†Era uma Vez… em Hollywood, projeto de tr√™s horas de dura√ß√£o que passa mais de duas horas introduzindo personagens e deslocando-os livremente pelo mundo do cinema.

 

Os protagonistas s√£o tr√™s: Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), ator pouco experiente de faroestes televisivos, seu melhor amigo, Cliff Booth (Brad Pitt), dubl√™ decadente e assistente pessoal do colega, e Sharon Tate (Margot Robbie), atriz pouco conhecida, que leva uma vida ao lado do namorado, o cineasta Roman Polanski. Depois de uma breve introdu√ß√£o com Rick participando de produ√ß√Ķes repletas de clich√™s, o filme para de investigar as vidas profissionais de seus personagens para desconstruir a imagem do hero√≠smo. Embora nos prepare para uma ascens√£o na carreira de Rick, ela nunca se concretiza; embora Cliff seja reconhecido como um dubl√™ capaz de encarar qualquer desafio, ele n√£o √© visto desempenhando nenhuma cena sequer; embora Sharon tenha participado de filmes famosos, nunca a vemos num set de filmagem.

O foco do projeto se encontra no aspecto pat√©tico do ator tentando ser amado e reconhecido, do dubl√™ que se limita √† fun√ß√£o de capacho e da esposa-trof√©u que passa os dias caminhando pela cidade, bela e superficialmente, enquanto a c√Ęmera filma sua bunda e nos p√©s nus. Tarantino se diverte com o cotidiano destes anti-her√≥is, os di√°logos banais nos bastidores, o momento de dar comida ao c√£o, os ensaios sozinhos dentro de casa. Seria exagero dizer que¬†Era uma Vez… em Hollywood¬†subverte o glamour do cinema: ele apenas n√£o se interessa por este aspecto, deixando-o em segundo plano ao privilegiar a metalinguagem dos personagens-que-interpretam-personagens.

Felizmente, o filme conta com um elenco invej√°vel. Tarantino atingiu aquela fase da carreira em que pode contratar qualquer ator que desejar, mesmo para pap√©is pequenos, porque qualquer nome da ind√ļstria gostaria de ser associado a um novo projeto do cineasta. DiCaprio aparenta se divertir muito no personagem do sujeito infantil, enquanto Pitt encarna o monstro gentil, o tipo cujos sorrisos d√≥ceis escondem uma ferocidade implac√°vel quando necess√°rio. Ambos possuem cenas deliciosas com personagens secund√°rios ‚Äď o encontro entre Rick e a atriz mirim, a luta improvisada de Cliff e Bruce Lee -, mas confinam-se na maior parte do tempo √†s suas casas e seus carros, quando conversam, apiedam-se sobre si mesmos, assistem √† televis√£o juntos, comem qualquer prato improvisado que encontram na geladeira.

Ao longo da narrativa, o diretor encontra momentos para demonstrar sua habitual intelig√™ncia de enquadramentos e conhecimento dos diferentes g√™neros do cinema. Quando Rick grava um¬†western spaghetti, a apresenta√ß√£o de sucessivas tomadas em plano-sequ√™ncia se revela uma excelente solu√ß√£o de¬†mise en sc√®ne. A chegada de Cliff ao drive-in tamb√©m impressiona pelos movimentos de c√Ęmera e pelo trabalho com espa√ßos. Apesar destas cenas isoladas, resta constatar que o filme se arrasta, n√£o apresenta conflitos (leia-se: reviravoltas que mudem os rumos da narrativa) durante aproximadamente 140 minutos, e gira em c√≠rculos ao pular de personagem em personagem, os tr√™s separados em subtramas paralelas durante a quase integralidade da hist√≥ria.

Era Uma Vez em Hollywood

Talvez esta estrat√©gia seja inteligent√≠ssima, por romper com a estrutura cl√°ssica narrativa e evitar o fetiche da viol√™ncia que se esperaria do cineasta. Talvez ela seja apenas autoindulgente, como se o diretor dissesse filme ap√≥s filme que n√£o precisa provar nada a ningu√©m, agradar quem quer que seja. Tarantino constr√≥i uma introdu√ß√£o de duas horas de dura√ß√£o porque pode faz√™-lo, e esta liberdade autoral constitui tanto uma arrog√Ęncia quanto uma possibilidade real de subvers√£o. √Č uma pena que, neste caso, a subvers√£o ocorra pelo recurso √† frustra√ß√£o. Antes, apenas a viol√™ncia de Tarantino parecia inconsequente, agora, toda a narrativa se comporta como se acontecesse¬†apesar do espectador.

 

Aos fãs, restará o prazer evidente de presenciar atores consagrados ridicularizando a si próprios, além do aceno a atores e filmes reais dos anos 1950 e 1960 (o roteiro se esforça para incluir o máximo de referências possível). Em paralelo, a conclusão decide finalmente fornecer uma possibilidade de catarse, um encerramento às linhas narrativas que corriam sem direção precisa. O diretor recompensa o espectador paciente, que testemunhou mais de duas horas de uma monotonia impecavelmente produzida, através do gozo da violência. A cena, muito bem orquestrada, desperta curiosidade sobre como seria o filme caso houvesse mais cenas deste tipo, e se aparecessem mais cedo na história.

Al√©m disso, o encerramento √© menos apote√≥tico do que singelo: Tarantino se autoriza a reescrever a Hist√≥ria mais uma vez, alterando importantes fatos da cultura norte-americana para proporcionar os acontecimentos que gostaria de ter presenciado. Em¬†Bastardos Ingl√≥rios, o cineasta imaginava a possibilidade de matar Hitler dentro de uma sala de cinema, por√©m desta vez ele prop√Ķe uma releitura mais doce das trag√©dias hist√≥ricas. O espectador terminar√° a sess√£o sabendo muito pouco sobre a hist√≥ria de Hollywood, sobre os bastidores da ind√ļstria ou sobre o caso Sharon Tate. No que diz respeito √† combina√ß√£o entre divers√£o e cr√≠tica da cultura norte-americana, diretores jovens como¬†Jordan Peele¬†t√™m oferecido propostas muito mais satisfat√≥rias no mesmo terreno pop-par√≥dico. Mesmo assim, o espectador de¬†Era uma Vez… em Hollywood¬†ter√° a divers√£o de ver DiCaprio, Pitt e o pr√≥prio Tarantino se divertirem como num baile √† fantasia, num faz de conta entre amigos munidos da √ļnica responsabilidade de parecerem alegremente irrespons√°veis.

Era Uma Vez em Hollywood
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Era Uma Vez em Hollywood
Título original Once Upon a Time… in Hollywood
IMDb Rating 7.6 567,830 votes
TMDb Rating 7.5 5,575 votes

Director

Elenco

Brad Pitt isCliff Booth
Cliff Booth
Margot Robbie isSharon Tate
Sharon Tate
Emile Hirsch isJay Sebring
Jay Sebring
Julia Butters isTrudi Fraser
Trudi Fraser
Bruce Dern isGeorge Spahn
George Spahn
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