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As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa

As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa

O mal reinou por 100 anos...Dec. 07, 2005UK143 Min.PG
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Sinopse

As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa

Durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial de Londres, quatro irmãos ingleses são enviados para uma casa de campo onde eles estarão seguros. Um dia, Lucy encontra um guarda-roupa que a transporta para um mundo mágico chamado Nárnia. Depois de voltar, ela logo volta a Nárnia com seus irmãos, Peter e Edmund, e sua irmã, Susan. Lá eles se juntam ao leão mágico, Aslan, na luta contra a Feiticeira Branca.

Crítica

Ninguém poderia imaginar que o sucesso de C.S. Lewis no período que compreendeu os anos de 1940 e 1950 conseguiria ser traduzido para as telonas de forma tão pura e delicada. Afinal, o compêndio amalgamado de diversas mitologias que resolveu intitular As Crônicas de Nárnia não apenas representou um marco na literatura mundial, como tornou-se uma das compilações mais traduzidas de todos os tempos, além de ter vendido mais de 120 milhões de cópias pelo mundo inteiro. Gostos à parte – eu particularmente encaro os escritos de Lewis como uma doutrinação mascarada dos preceitos católicos -, o diretor Andrew Adamson tinha um trabalho um tanto quanto complexo pela frente, e definitivamente não poderia trazer certos maneirismos à tona e perder a essência do material original.

Adamson, em poucas palavras, consegue extrair o épico em quase todas as cenas que arquiteta para o longa – e digo quase, pois em alguns momentos nos sentimos presenciando uma releitura das epopeias bíblicas que tanto se tornaram populares desde o século passado, caindo em convencionalismos só não desperdiçados tanto pela fotografia quanto pela trilha sonora. A trama principal gira em torno dos irmãos Pevensie que, fugindo da iminente ameaça nazista contra a Inglaterra no ápice da II Guerra Mundial, acabam por encontrar o mágico mundo de Nárnia e percebem que encarnam papéis muito maiores do que imaginavam.

 

A princípio, é bem perceptível que o núcleo familiar dos irmãos se desenrola de modo conturbado. Temos, por exemplo, o crescimento compulsório dos mais velhos, Pedro (William Moseley) e Suzana (Anna Popplewell), emergindo como as figuras parentais dos caçulas e tentando manter uma ordem que há muito já não existe mais. Em contrapartida, o equilíbrio trazido pela rebeldia do irreverente Edmundo (Skandar Heynes) e pela fértil imaginação otimista de Lúcia (Georgie Henley) trazem camadas de profundidade que não simplesmente jogadas na narrativa, mas que servem como respaldo para aquilo que virá.

Eventualmente – e como é de se esperar na clássica jornada do herói – o quarteto se muda para um grande casarão pertencente ao Professor Kirke (Jim Broadbent), um místico personagem que, apesar de aparecer em pouquíssimas cenas, incita-os a não se deixar levar pelo realismo exacerbado que a guerra lhes causou e acreditar no impossível. Afinal, Lúcia, sendo a mais inocente e a mais pueril, é a primeira a aventurar-se em Nárnia e conhecer algumas das criaturas mais adoráveis dessa repaginada mitologia criada por Lewis – e, de praxe, é desacreditada por seus irmãos. Não é até o começo do segundo ato que todos mergulham de cabeça no novo mundo e passam a fazer parte de uma história que mantinha-se imutável até sua chegada.

É claro que alguns elementos soam bastante familiares – e devemos levar em consideração o boom da ficção fantástica à época de seu lançamento; quando pensamos no mercado cinematográfico, O Senhor dos Anéis foi a primeira franquia a ganhar uma adaptação às telonas, seguido por Harry Potter e só então chegando em As Crônicas de Nárnia. Logo, o crescente público apaixonado pelo drama aventuresco de diversos heróis e heroínas já estava acostumado a encontrar fórmulas para a delineação de suas histórias, como a magia, as constantes batalhas, as epifanias e os vilões.

As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa

Adamson, que também contribuiu fortemente para o roteiro do longa, consegue trabalhar de modo justo para cada um dos protagonistas e antagonistas, fornecendo o arco necessário para compreendermos sua evolução e desfecho. Isso inclui também a onipotência de Aslan, o Grande Leão (Liam Neeson), que, representando nos livros a materialização de Deus Todo-Poderoso, sofre uma antropomorfização de seus atos e se torna mais afável em relação aos espectadores e aos próprios personagens da trama, sendo dotado inclusive de falhas humanizadas. Ele funciona como o arquétipo do Guardião e do Guia Espiritual, auxiliado anteriormente pelas controversas atitudes do fauno Tumnus (James McAvoy) – cuja participação final não faz jus à importância que poderia representar.

Além de Neeson, que traz uma retumbante e preponderante voz ao filme, um dos ápices da produção reside na incrível performance de Tilda Swinton como Jadis, a Feiticeira Branca, usurpadora do Trono Real e causadora do interminável inverno que assola Nárnia. Ao contrário do poderíamos esperar, Swinton mantém-se em uma linearidade expressiva que é articulada com poucas explosões emocionais, nenhuma saturada ou obliterada pela canastrice; ela nem mesmo precisa de muitos diálogos para mostrar seu poder, visto que este reside apenas em seu olhar.

Dito isso, é necessário pontuar que certas sequências se mostram um tanto redundantes no quesito desenvolvimento narrativo: dentro de adaptações, é necessário separar aquilo que pode ser traduzido para imagens e aquilo que se mantém em um âmbito mais intimista e inexprimível para o grande espetáculo do cinema. Adamson, em diversas ocasiões, parece ter se esquecido dessa premissa e realizado mirabolantes saídas que não mudariam essencialmente em nada na trajetória dos protagonistas e de sua luta pela salvação de Nárnia e pela destituição de Jadis. E pior: ele peca em excesso nessas mesmas sequências quando poderia transferir tamanha preocupação imagética para momentos mais importantes – como o sacrifício de Aslan ou a batalha final.

E é justamente aí que entra o poder de uma boa trilha sonora; utilizando-se da grandiloquência épica dos arranjos musicais de violinos e violoncelos em crescendo, além de harmonizá-los com os instrumentos que os próprios personagens usam em cena (como o berrante), o compositor Harry Gregson-Williams deixou sua marca na indústria hollywoodiana ao transformar palavras em sinfonias orquestrais belíssimas que atuam em crescendo o tempo inteiro, passando pela preparação de terreno, chegando ao clímax e encontrando um desfecho digno para uma obra tão esteticamente bela quanto esta.

As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa

O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa é um equivalente mais brando e sutil às outras adaptações literárias fantasiosas para o cinema – e ela funciona na maior parte do tempo. Apesar dos clichês e dos deslizes óbvios, o filme tem a grande vantagem de conseguir cativar o público e permitir-lhe navegar por entre o incrível mundo de Nárnia, coisa que infelizmente não aconteceria nas duas iterações a seguirem a saga.

As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa
As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa
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As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa
Título original The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe
IMDb Rating 6.9 369,407 votes
TMDb Rating 7.1 6,966 votes

Director

Elenco

Georgie Henley isLucy Pevensie
Lucy Pevensie
Skandar Keynes isEdmund Pevensie
Edmund Pevensie
William Moseley isPeter Pevensie
Peter Pevensie
Anna Popplewell isSusan Pevensie
Susan Pevensie
Tilda Swinton isWhite Witch
White Witch
James McAvoy isMr. Tumnus
Mr. Tumnus
Jim Broadbent isProfessor Kirke
Professor Kirke
Kiran Shah isGinarrbrik
Ginarrbrik
James Cosmo isFather Christmas
Father Christmas
Judy McIntosh isMrs. Pevensie
Mrs. Pevensie
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