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A Princesa e a Plebeia

A Princesa e a Plebeia

Nov. 16, 2018USA101 Min.TV-PG
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Sinopse

A Princesa e a Plebeia

Uma duquesa e uma confeiteira descobrem que são sósias perfeitas uma da outra e decidem trocar de lugar. Quando elas se apaixonam por homens que não fazem a menor ideia de quem elas são de verdade, esse plano pode virar um problema.

Crítica

Imagine encontrar pelas ruas uma pessoa idêntica a você. Não um irmão gêmeo perdido, apenas um sósia perfeito. Imagine então que está pessoa, riquíssima, diz estar cansada da vida nobre, e implora para assumir a sua vida de cidadão de classe média, pelo prazer da experiência. Você, que nunca tomou atitudes arriscadas na vida, diz “Sim, por que não?”, e faz-se a troca. A Princesa e a Plebeia parte de uma premissa absurda, sem se dar ao trabalho de aprofundar as motivações – todas as ações descritas acima ocorrem nos primeiros dez minutos da trama. Pelo menos, ele nunca tenta parecer realista: estamos no território da fábula, da magia de Natal, da ideia de que a fé move montanhas e milagres acontecem.

 

Pode-se suspender a descrença por completo e embarcar na fantasia com toda a ingenuidade que o projeto solicita a seu espectador. Mas a tarefa não é tão fácil: o castelo onde mora a condessa Margaret (Vanessa Hudgens) está longe de parecer um castelo; as caminhadas com o príncipe (Sam Palladio) ocorrem sobre um fundo de chroma key; o convite para um concurso de culinária surge de modo abrupto na vida da pequena confeiteira Stacy (Vanessa Hudgens também). A cada vez que o espectador acata uma concessão à lógica, a narrativa pede mais uma, e assim por diante. Aparecem então vilões dos dois lados da farsa, uma fada madrinha para cada uma das garotas, e um homem belo, gentil e musculoso interessado em cada uma delas. Estamos num mundo simétrico, sugerindo ironicamente que a vida da garota rica e a vida da garota pobre são idênticas em termos de afeto e possibilidades.

A Princesa e a Plebeia traz mensagens sociais parcialmente progressistas, para não soar anacrônico, embora preserve certo tradicionalismo pela redução das mulheres à aparência e à necessidade de um marido/namorado. Em outras palavras, tanto Stacy quanto Margaret são mulheres fortes à sua maneira, cada uma delas impõe algo inovador a um ambiente codificado – a pobre ensina à realeza como se importar com o povo; a rica ensina aos trabalhadores cautelosos a necessidade de tomar riscos e viver a vida intensamente -, mas no final o sonho ainda é o de ser princesa, seja oficialmente ou extraoficialmente, com direito a uma coroa posta na cabeça de uma órfã que “pode se tornar princesa em seu coração”, nas palavras da condessa.

 

O diretor Mike Rohl não se esforça em criar uma construção sofisticada de imagens ou na direção de atores. As cenas se encadeiam de modo meramente funcional, mesmo óbvio: os planos e contraplanos simétricos reforçam a semelhança evidente das protagonistas, a trilha sonora opta pelo pop natalino que se ouviria em qualquer loja de roupas, a iluminação se assemelha a efeitos teatrais. Mesmo tendo poucas crianças em cena, esta produção remete ao cinema infantil por simplificar sua elaboração ao máximo, como se temesse a incapacidade do público em compreender a diferença entre as jovens idênticas, ou as funções de cada um na trama. Por isso, a fotografia é clara demais, a direção de arte é lisa e sem texturas, a montagem é evidente, como se o filme tivesse medo de provocar o mínimo ruído. É preciso que toda cena corresponda ao imaginário popular sobre riqueza e pobreza, sobre homens e mulheres, sobre príncipes e princesas.

A Princesa e a Plebeia

Até por isso os personagens não possuem construções específicas, mas funções: a princesa, a plebeia, o príncipe, o par romântico, os vilões etc. Rohl acentua esses traços, certamente por compreendê-los como parte necessária ao humor, mas acaba gerando caricaturas simplórias. Vanessa Hudgens poderia se divertir bastante com a personagem, criando ao mesmo tempo os clichês e suas paródias, mas demonstra pouco repertório técnico para subverter os códigos. Nick Sagar exagera na gentileza e afabilidade, tornando involuntariamente cômica a cena em que deveria ser sexy (a entrada no quarto sem camisa). Curiosamente, Sam Palladio consegue apresentar uma atuação comedida no papel do príncipe, e a pequena Alexa Adeosun se revela uma promissora atriz iniciante.

 

Depois de alguns trechos bem resolvidos na parte central, a conclusão retorna ao mesmo nível de magia (entenda-se: falta de lógica) do início. Salta aos olhos, no entanto, um inesperado desvio em relação às expectativas: ao invés de propor o equilíbrio comum às histórias de duplos (a garota rica aprendendo a respeitar a pobreza, a pobre aprendendo a ser mais ambiciosa), o discurso sugere que cada uma vai manter sua “natureza”, e cabe ao mundo se adequar a estes traços pessoais. Trata-se de uma visão de mundo estranha às produções de princesas de décadas atrás, mas que talvez convenha à sociedade ultra personalizada do século XXI.

A Princesa e a Plebeia
A Princesa e a Plebeia
A Princesa e a Plebeia
Título original The Princess Switch
IMDb Rating 6.0 23,187 votes
TMDb Rating 7.1 1,453 votes

Director

Mike Rohl
Director

Elenco

Vanessa Hudgens isStacy De Novo / Lady Margaret Delacourt
Stacy De Novo / Lady Margaret Delacourt
Sam Palladio isPrince Edward
Prince Edward
Suanne Braun isMrs. Donatelli
Mrs. Donatelli
Sara Stewart isQueen Caroline
Queen Caroline
Chris Jarvis isShow Host
Show Host
Jo Cameron Brown isMrs. McBride
Mrs. McBride
Pavel Douglas isKing George
King George
Nick Sagar isKevin Richards
Kevin Richards
Mark Fleischmann isFrank De Luca
Frank De Luca
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