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A Mula

A Mula

Dec. 14, 2018USA117 Min.R
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Sinopse

A Mula

Um horticultor e veterano da Segunda Guerra Mundial de 90 anos √© pego transportando uma quantidade de coca√≠na equivalente a $3 milh√Ķes de d√≥lares para um quartel de drogas mexicano.

Crítica

Logo após constatar o que já era óbvio, apesar de ter negado a crua verdade dos mais de 100 quilos de cocaína que dividem o porta-malas de sua picape com um carregamento de nozes-pecã quase que inconscientemente, Earl Stone (Clint Eastwood) toma ciência completa da profundidade de seu dilema quando encontra o seu primeiro impasse policial. E, para piorar, com direito a um cachorro treinado para farejar narcóticos e tudo, evidentemente. Mas como bom malandro e manipulador indivíduo que é, o floricultor transformado em mula de um cartel de drogas mexicano consegue se desvencilhar do imbróglio.

Porque se h√° algo que¬†A Mula, mais novo drama de Eastwood, n√£o consegue fazer, a despeito de sua compet√™ncia t√©cnica, √© esconder que seu protagonista √©, no fundo de seu √≠ntimo, um sujeito de m√° √≠ndole. O que, de fato, n√£o √© um problema em si, pelo menos n√£o para o cinema: a s√©tima arte √© povoada por tipos de moral duvidosa, para dizer o m√≠nimo. Assim, esse inc√īmodo gerado n√£o passa pelas a√ß√Ķes ou pela √©tica de Stone, mas sim e t√£o somente no fato de que¬†A Mula, atrav√©s de um emaranhado de trepidantes e irregulares mudan√ßas tonais a cada passo dado, tenta mesmo nos vender a bondade de seu protagonista.

A inevitável falha crítica da empreitada anuncia-se de pronto quando o roteiro, escrito por Nick Schenck (Gran Torino) com base na história real de Leo Sharp, um dos maiores traficantes de todos os tempos, intenta estabelecer um utópico paralelo entre as personas de James Stewart e de Eastwood. Ora, basta conhecer um mínimo da carreira da estrela de Um Corpo que Cai para enxergar a impossibilidade do projeto: o primeiro é o arquétipo do homem bom, que luta para reverter as crises que atravessa e surgir como um herói agridoce no fim; o outro é o Homem Sem Nome, pistoleiro de sangue frio.

Portanto, por mais que todos os personagens secund√°rios que Earl encontra em seu caminho como transportador de coca√≠na se esforcem para nos convencer das semelhan√ßas entre as ess√™ncias dos dois astros, esta √© uma tarefa fadada ao fracasso. At√© porque, em termos de constru√ß√£o de personagem, recebemos muito pouco incentivo para acreditar, de forma manique√≠sta, na bondade do protagonista de¬†A Mula. Porque, no fim das contas, o floricultor √©, sim, algu√©m que errou, que recorreu ao transporte de drogas para tentar recuperar sua casa e que, invariavelmente, contribuiu para a ind√ļstria do narcotr√°fico.

O roteiro, por sua vez, complexifica ainda mais a pretens√£o de reden√ß√£o de seu protagonista quando o apresenta, para come√ßo de conversa, como um p√©ssimo pai e p√©ssimo marido, como um homem que abandonou a fam√≠lia por causa do trabalho. Toda a subtrama que envolve os personagens das subaproveitadas¬†Dianne Wiest¬†e¬†Taissa Farmiga, respectivamente ex-mulher e neta de Earl, √© completamente dispens√°vel, e n√£o s√≥ n√£o auxilia o arco narrativo do personagem, como tamb√©m o prejudica. Entre persegui√ß√Ķes policiais e dramas √≠ntimos, a trama de¬†A Mula¬†fica abarrotada.

Eastwood, que jamais foi um realizador chegado √†s sutilezas, perde a m√£o por completo ao tentar criar uma transi√ß√£o entre um filme de estrada, um suspense criminal, um drama familiar e uma muito deslocada com√©dia. Ao n√£o aceitar apenas um dos registros narrativos¬†‚ÄĒ ao n√£o aceitar, em outras palavras, a natureza de thriller do projeto, escanteando as s√≥lidas e cativantes performances dos agentes interpretados por¬†Bradley Cooper¬†e¬†Michael Pe√Īa¬†‚ÄĒ, o realizador d√° mostras de que os dias de¬†Gran Torino, filme com mais afinidade tem√°tica com este¬†A Mula, est√£o definitivamente no passado.

A Mula

Este descompasso, ali√°s, s√≥ aprofunda a decep√ß√£o causada por este h√≠brido, que arranca risadas nas horas erradas¬†‚ÄĒ as cenas em que Earl interrompe seu caminho para dar conselhos automobil√≠sticos para uma fam√≠lia negra e para um grupo de motociclistas l√©sbicas s√£o constrangedoras e preconceituosas, a despeito das “boas inten√ß√Ķes” de ambas as sequ√™ncias em tratar o personagem como um idoso tolerante. Porque Eastwood n√£o perdeu o ritmo e a capacidade de conduzir um longa: apesar de todos os pesares,¬†A Mula¬†funciona e, de um ponto de vista puramente t√©cnico, n√£o comete nenhum erro.

A montagem e a fotografia tratam de conferir o visual e o andamento corretos para a produ√ß√£o, enquanto todo o elenco de apoio, completado por nomes como¬†Andy Garcia¬†e¬†Laurence Fishburne, faz o poss√≠vel para salvar a empreitada. E esta a quest√£o: se n√£o fossem os problemas √©ticos da obra¬†‚ÄĒ Eastwood n√£o parece compreender, por exemplo, que Earl √© um criminoso, independentemente de suas motiva√ß√Ķes, ao tentar transform√°-lo em um her√≥i ‚ÄĒ, o projeto n√£o precisaria ser resgatado de si mesmo. Mas tudo que¬†A Mula¬†quer √© nos fazer simpatizar com um vil√£o sem jamais observ√°-lo com o m√≠nimo de senso cr√≠tico.

Todo bom antagonista que se preze deve encantar, em certa medida, a audi√™ncia: s√£o os seus meios question√°veis que nos afastam e nos repelem, mas s√£o suas inten√ß√Ķes fundamentalmente genu√≠nas e compreens√≠veis que nos atraem. No caso de Earl, por outro lado, essa ambiguidade n√£o √© constru√≠da: o roteiro conta que iremos simplesmente ter considera√ß√£o e empatia pelo protagonista pelo fato do idoso ser uma v√≠tima das circunst√Ęncias¬†‚ÄĒ algo que ele, claramente, n√£o √©. Ali√°s, Eastwood, esse modelo de caub√≥i vingador, precisaria se esfor√ßar muito mais como ator para nos convencer de que √© meramente indefeso.

Pontuado por uma obsess√£o inexplic√°vel por celulares e di√°logos expositivos e did√°ticos demais,¬†A Mula¬†soa como uma esp√©cie de tentativa de seu astro e diretor de redimir os crimes de Blondie, o protagonista da¬†Trilogia dos D√≥lares¬†de¬†Sergio Leone. √Č como se Eastwood estivesse tentando provar que seus cr√≠ticos est√£o errados e que suas ideias mudaram. Contudo, a vis√£o de mundo do realizador parece permanecer intacta, ainda que mascarada, como a insana cena da festa no M√©xico comprova: no fim das contas, tudo est√° igual. Ele pode reconhecer que errou, mas n√£o pode ser mais que um rascunho de James Stewart.

E tudo bem, porque Eastwood √© Eastwood, a despeito das problem√°ticas declara√ß√Ķes de sua vida pessoal: ele √© um astro de Hollywood e n√£o precisa tentar ser o que n√£o √©, especialmente por ser fundamentalmente o anti-James Stewart. Para exercer suas habilidades como cineasta ao m√°ximo, o ator precisa de um roteiro minimamente s√≥lido, e a hist√≥ria de Leo Sharp possu√≠a todas as potencialidades para tal. Aqui, entretanto, o respons√°vel por obras como¬†Sobre Meninos e Lobos,¬†Os Imperdo√°veis¬†e¬†Menina de Ouro¬†se perdeu por completo.¬†A Mula¬†√©, provavelmente, um dos piores filmes de Eastwood.

A Mula
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A Mula
Título original The Mule
IMDb Rating 7.0 115,825 votes
TMDb Rating 6.7 2,768 votes

Director

Elenco

Clint Eastwood isEarl Stone
Earl Stone
Bradley Cooper isAgent Colin Bates
Agent Colin Bates
Laurence Fishburne isSpecial Agent in Charge
Special Agent in Charge
Michael Pe√Īa isAgent Trevi√Īo
Agent Trevi√Īo
Richard Herd isTim Kennedy
Tim Kennedy
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