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A Autópsia

A Autópsia

Todo corpo guarda um segredo.Dec. 21, 2016UK99 Min.R
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Sinopse

A Autópsia

Tommy Tilden (Brian Cox) e Austin Tilden (Emile Hirsch), seu filho, são os reponsáveis por comandar o necrotério de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos. Os trabalhos que recebem costumam ser muito tranquilos por causa da natureza pacata da cidade, mas, certo dia, o xerife local (Michael McElhatton) traz um caso complicado: uma mulher desconhecida foi encontrada morta nos arredores da cidade – “Jane Doe”, no jargão americano. Conforme pai e filho tentam descobrir a identidade da mulher morta, coisas estranhas e perigosas começam a ocorrer, colocando a vida dos dois em perigo.

Crítica

Este filme de terror parte da improvável fusão de dois subgêneros: por um lado, a investigação médico-criminal, por outro, as tramas de garotas possuídas por forças do mal. O elemento capaz de unir os dois aspectos é uma mulher desconhecida (Olwen Catherine Kelly), batizada de “Jane Doe” – espécie de “Zé Ninguém” americano – pelos técnicos legistas encarregados de descobrir as circunstâncias de seu assassinato. Com uma protagonista morta desde a primeira cena, o roteiro desperta curiosidade pela maneira como pretende desenvolver a gradação do terror.

 

A apresentação do conflito é a mais simples possível. Existem apenas dois personagens (vivos, pelo menos) durante a maior parte do tempo: o pai Tommy (Brian Cox) e o filho Austin (Emile Hirsch), legistas que trabalham no porão da própria casa. Para terem alguma complexidade psicológica, o roteiro lhes confere um trauma recente: a perda da mãe e esposa. 90% da história se passa neste porão, com a dupla masculina confrontada ao cadáver misterioso. Na primeira parte da narrativa, ambos procedem à investigação, gravando a autópsia, fazendo incisões e retirando órgãos.

 

A metade inicial é a melhor de A Autópsia, por testar os limites do ceticismo dos personagens e também do espectador. Vários fatores apresentam difícil explicação: Como um corpo tão danificado por dentro não teria nenhuma marca externa? De onde viriam as cicatrizes em seus órgãos? Por que ela ainda sangra, se a morte ocorreu há muitas horas? Os experientes homens de ciência recorrem a teorias raras para justificar cientificamente o caso atípico. Os momentos em que o roteiro caminha entre o natural e o sobrenatural constituem os pontos fortes do filme.

 

Infelizmente, o diretor André Ovredal transforma seu suspense num terror padrão, provavelmente por imposição dos produtores. A segunda metade da trama abandona o jogo das hipóteses racionais e parte para os estímulos comuns do horror de possessões. Entram em cena todos os clichês do gênero: figuras assustadoras no fundo do corredor, sombras de pés passando por debaixo da porta, sustos pelo buraco da fechadura, luzes se apagando quando o terror se acentua, símbolos de rituais satânicos, tempestades impedindo a abertura das portas.

 

Os elementos mais instigantes do início tampouco servem para aprofundar o interesse no projeto: o espaço único, que poderia ser muito bem explorado pela sensação de claustrofobia ou pelos diferentes enquadramentos, é limitado através da filmagem clássica. Usando o formato scope, Ovredal retrata um dos personagens principais num terço da imagem, e deixa o cenário do necrotério ocupar a outra parte, ao fundo do quadro. A contradição de ter a fonte do mal presente em cena o tempo inteiro não desperta a tensão esperada: o roteiro não consegue associar os fenômenos ao cadáver no meio da sala, e a própria transformação dos legistas em dois homens apavorados soa abrupta demais. O trauma da perda da mãe e esposa também não serve para tornar os personagens mais complexos nos instantes de horror.

A Autópsia

“Quem é Jane Doe?”, pergunta o material publicitário. A Autópsia não fornece respostas satisfatórias: pouco importa, afinal, a identidade do cadáver, assim como importam muito pouco as personalidades dos legistas. O projeto é movido por uma dinâmica limitada: um elemento ameaça dois outros, impedidos de fugir. Um ataque, duas vítimas em potencial. Como investigação médico-criminal, o resultado decepciona por não apresentar explicação plausível aos elementos descobertos na autópsia. Como terror sobre exorcismos, desaponta ao desprezar as causas e consequências da possessão, gastando tempo excessivo na pirotecnia sobrenatural.

A Autópsia
A Autópsia
A Autópsia
A Autópsia
A Autópsia
A Autópsia
Título original The Autopsy of Jane Doe
IMDb Rating 6.8 100,827 votes
TMDb Rating 6.6 2,371 votes

Director

Elenco

Emile Hirsch isAustin Tilden
Austin Tilden
Brian Cox isTommy Tilden
Tommy Tilden
Michael McElhatton isSheriff Sheldon
Sheriff Sheldon
Parker Sawyers isOfficer Cole
Officer Cole
Jane Perry isLieutenant Wade
Lieutenant Wade
Mark Phoenix isLouis Tannis
Louis Tannis
Mary Duddy isIrene Daniels
Irene Daniels
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